Artigo com tema sobre farmacologia 01
Silvia Cardoso Bittencourt, Sandra Caponi, Sônia Maluf O propósito deste estudo é analisar de que modo a farmacologia como ciência foi apresentada a estudantes e profissionais no decorrer das várias edições de um livro-texto com projeção mundial. Além disso, identifica-se como os autores abordaram a influência da indústria farmacêutica sobre essa área de conhecimento. Weatherall (1996, p.246) afirma que “a farmacologia, a ciência das drogas, tornou-se necessária quando a primeira pessoa a ficar bêbada vislumbrou o que estava acontecendo com ele ou ela”1. Embora o desenvolvimento de medicamentos tenha se iniciado provavelmente há mais de cinco mil anos, foi a partir do século XVIII, com os avanços da ciência moderna, que a farmacologia se instituiu como área do conhecimento. No século XX, ela se estabeleceu como ciência básica nas instituições de ensino, e as pesquisas farmacológicas passaram a ser divulgadas em artigos científicos e livros didáticos. A divulgação científica dessa área de conhecimento acontece tanto para especialistas (farmacologistas, bioquímicos, farmacêuticos) quanto para médicos, prescritores de medicamentos. O livro atualmente intitulado Goodman and Gilman’s: the pharmacological basis of therapeutics (Brunton, Lazo, Parker, 2006) é reconhecido e utilizado em vários países como referência para estudantes, além de ser consultado por profissionais graduados que buscam atualização (Casavant, 2002, 2006; Hastings, Long, 1991; OPS, 1969). Foram analisadas 11 edições dessa obra, publicadas originalmente em inglês, entre 1941 e 20062. A primeira edição foi em 1941 com o título The pharmacological basis of therapeutics: a textbook of pharmacology, toxicology and therapeutics for physicians and medical students (Goodman, Gilman, 1947 [1.ed. 1941]). Os autores das primeiras edições eram Louis Goodman e Alfred Gilman, e a editora, a Mcmillan Company, na época com sede nos EUA, Canadá e Reino Unido. Décadas depois, quando deixaram de participar ativamente do processo de escrita e/ou edição, o nome dos autores foi dado à obra. Louis Goodman considerou esse livro seu maior legado, mesmo levando em conta outras.